Operação Slim: PF desarticula produção clandestina de tirzepatida e alerta para riscos à saúde pública
A Polícia Federal cumpriu mandados em quatro estados para interromper um esquema que manipulava e comercializava tirzepatida irregularmente — substância usada no tratamento de diabetes tipo 2 e na assistência metabólica.
A deflagração da Operação Slim expôs uma preocupação crescente entre autoridades sanitárias: a produção clandestina de medicamentos injetáveis com efeitos metabólicos intensos. A PF identificou uma rede responsável por adquirir, fracionar e distribuir tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, sem controle de esterilidade, dosagem ou procedência.
A substância, que atua de forma profunda no metabolismo, exige rigor técnico em todas as etapas, e seu uso irregular representa riscos reais à saúde pública.
Contexto médico: o que é a tirzepatida?
A tirzepatida é um agonista de receptores GIP/GLP-1 usado em tratamentos de diabetes tipo 2, com impacto direto na regulação glicêmica e na redução de peso. Por ser um medicamento injetável, requer:
- controle preciso de concentração;
- ambiente estéril durante a manipulação;
- armazenamento refrigerado;
- rastreabilidade de lote e validade;
- prescrição médica e acompanhamento contínuo.
A ausência desses critérios aumenta drasticamente o risco de eventos adversos.
Como funcionava a produção clandestina
As investigações mostram que o grupo adquiria o princípio ativo sem autorização regulatória e o manipulava em ambientes improvisados, sem condições mínimas de biossegurança. A cadeia criminosa incluía:
- importação ou aquisição irregular da matéria-prima;
- manipulação sem controle técnico;
- fracionamento em frascos e canetas injetáveis;
- rotulagem sem identificação de lote;
- venda direta por profissionais e intermediários.
O produto final era oferecido como alternativa mais barata aos medicamentos originais, mas completamente sem rastreabilidade sanitária.
Riscos clínicos associados ao uso de tirzepatida irregular
O uso de medicamentos produzidos sem controle representa riscos sérios, entre eles:
- hipoglicemia grave, devido a dosagens incorretas;
- contaminação bacteriana pela falta de esterilização;
- inflamações e abscessos no local da aplicação;
- alterações cardiovasculares inesperadas;
- desregulação metabólica grave em pacientes com diabetes;
- risco de morte em casos de contaminação ou dosagem extrema.
A Anvisa reforça que medicamentos injetáveis manipulados sem ambiente controlado são considerados de alto risco sanitário.
Investigação se estende às redes de distribuição
Segundo a PF, a substância era vendida por meio de lojas clandestinas, profissionais autônomos e contatos privados em redes sociais. Os investigadores também apreenderam bens de alto valor que podem estar ligados à lavagem de dinheiro.
Documentos e registros financeiros agora serão analisados para rastrear a origem da matéria-prima e o destino dos produtos comercializados.
Crimes investigados
Os envolvidos podem responder por:
- falsificação e adulteração de produtos terapêuticos;
- associação criminosa;
- crimes contra a saúde pública;
- lavagem de dinheiro.
A PF informou que novas fases da operação poderão ocorrer conforme avançar a perícia das amostras apreendidas.
