Tragédia em Crans-Montana: velas de champanhe e a noite que virou pesadelo
O que deveria ser uma celebração glamorosa de Réveillon em uma das estações de esqui mais sofisticadas da Suíça transformou-se em uma das maiores tragédias recentes do país. O incêndio no bar Le Constellation deixou dezenas de mortos e mais de uma centena de feridos. A principal suspeita: velas pirotécnicas em garrafas de champanhe.
A noite da virada
Era pouco depois da meia-noite. A música alta embalava turistas e moradores que celebravam a chegada de 2026. Garrafas de champanhe circulavam entre mesas, acompanhadas de velas pirotécnicas que iluminavam o ambiente com faíscas douradas. O clima era de euforia, até que uma dessas faíscas alcançou o teto baixo do bar.
“Foi questão de segundos. Primeiro vimos uma pequena chama, depois o teto inteiro estava em chamas”, relatou uma sobrevivente à imprensa local.
O fogo e o pânico
O fogo se espalhou com velocidade impressionante. A decoração festiva, feita de materiais inflamáveis, contribuiu para que as chamas dominassem o espaço em minutos. O bar, projetado para receber cerca de 200 pessoas, estava lotado. A fumaça densa e o calor intenso tornaram a evacuação caótica.
Muitos convidados não perceberam imediatamente a gravidade da situação. A música continuava, e alguns acreditaram que se tratava de parte da festa. Quando a fumaça tomou conta, o pânico se instalou. Pessoas se empurravam em direção às saídas, algumas bloqueadas por mesas e cadeiras.
Declarações oficiais
A procuradora-geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud, afirmou em coletiva de imprensa que “as velas em garrafas de champanhe estavam muito próximas ao teto, e isso provavelmente iniciou o fogo”. O comandante da polícia, Frédéric Gisler, confirmou que mais de 115 pessoas ficaram feridas e que a investigação ainda considera outras hipóteses.
“As imagens analisadas mostram claramente o momento em que as faíscas atingem o teto. É a linha de investigação mais forte até agora”, disse Pilloud.
Impacto internacional
A tragédia não ficou restrita à Suíça. O governo italiano confirmou cidadãos entre as vítimas, e mensagens de solidariedade chegaram de diversos países europeus. A União Europeia destacou a necessidade de reforçar normas de segurança em locais de entretenimento.
O episódio trouxe à memória outros incêndios em casas noturnas que marcaram a história recente: a boate Kiss, no Brasil, em 2013, e a discoteca Station, nos Estados Unidos, em 2003. Em ambos os casos, o uso inadequado de artefatos pirotécnicos foi determinante para a tragédia.
O debate sobre segurança
Especialistas em segurança alertam que velas pirotécnicas não deveriam ser usadas em ambientes fechados. “Esses artefatos são projetados para espaços abertos. Em locais com teto baixo, o risco é imediato”, explicou um engenheiro ouvido pelo jornal suíço Le Temps.
A tragédia reacendeu o debate sobre fiscalização e protocolos de segurança em resorts e casas noturnas. Autoridades discutem a necessidade de proibir o uso de efeitos pirotécnicos em ambientes internos e reforçar inspeções em datas festivas.
Próximos passos
A investigação deve concluir um laudo técnico sobre o ponto inicial do fogo, verificar licenças e normas de segurança do bar, e definir responsabilidades criminais. Além disso, recomendações públicas serão emitidas para reforçar medidas preventivas em eventos.
- Conclusão do laudo pericial.
- Verificação de licenças e normas de segurança.
- Responsabilização criminal de organizadores.
- Emissão de recomendações públicas.
