A Ilusão do Luxo na Estética: Por Que a Ostentação Está Perdendo Espaço e o Trabalho Real Volta a Ser Valorizado
A estética brasileira passa por um momento de revisão profunda. O que durante anos foi vendido como sinônimo de sucesso — luxo exagerado, congressos transformados em vitrines sociais, jantares exclusivos e redes sociais repletas de símbolos de riqueza — começa a perder força diante de uma constatação inevitável: ostentação não constrói autoridade, não sustenta clínicas e não representa a realidade da maioria das profissionais.
Em meio a esse cenário, cresce a crítica às chamadas “Dras de circo” — personagens criadas para aparecer, ostentar e impressionar, muitas vezes sustentadas por bolsas alugadas, roupas emprestadas, carros financiados e uma imagem cuidadosamente encenada, mas distante do trabalho clínico diário.
Quando eventos viraram palco e o conteúdo ficou em segundo plano
Congressos nacionais e internacionais, que deveriam ser espaços de aprendizado técnico, troca científica e fortalecimento profissional, passaram a ser utilizados por parte do público como passarela social.
“Quando o foco deixa de ser conhecimento e passa a ser aparência, o evento perde sua função principal”, afirma a educadora e palestrante internacional Drª Helena Martins.
“A estética nunca foi sobre palco. Sempre foi sobre resultado, responsabilidade e cuidado com o paciente”, reforça o consultor de negócios em saúde Ricardo Fontes.
Ostentação não é sucesso — e o mercado já percebeu
Entre especialistas, o discurso é claro: luxo visível não equivale a sucesso profissional. Pelo contrário, muitas vezes esconde fragilidades financeiras e estruturais.
“Muitas clínicas aparentemente luxuosas operam no limite ou no prejuízo. A conta não fecha quando a gestão é baseada em imagem”, alerta o economista da saúde Prof. Marcelo Duarte.
“Bolsas alugadas e joias emprestadas não são sinais de prosperidade, mas de insegurança profissional”, avalia a especialista em finanças para clínicas Drª Ana Beatriz Lopes.
“O verdadeiro sucesso na estética é previsibilidade, constância e confiança do paciente”, resume a consultora Marina Albuquerque.
“A ostentação cria uma ilusão perigosa de que técnica e gestão são detalhes, quando na verdade são a base do negócio”, afirma a dermatologista pesquisadora Drª Camila Reis.
O endividamento como preço da aceitação
Estudos de mercado e relatos de consultorias financeiras apontam que mais da metade das profissionais da estética já se endividou por decisões ligadas à imagem, e não à necessidade real do negócio.
“A ostentação virou um mecanismo de pertencimento social. Quem não acompanha o padrão sente que está fora do jogo”, explica o psicólogo organizacional Rafael Moretti.
“O problema é que pertencimento não paga impostos, não compra equipamentos e não sustenta clínicas”, complementa a administradora hospitalar Luciana Ferraz.
As Dras reais: mulheres que sustentam o setor
Longe dos holofotes, está a base sólida da estética: as Dras reais. Mulheres que trabalham diariamente, atendem pacientes, estudam, se atualizam, administram seus negócios e levam sustento para casa.
“A doutora real não vive de aparência. Vive de trabalho, responsabilidade e entrega”, afirma a gestora clínica Patrícia Nogueira.
“Essas profissionais conciliam clínica, família, contas e estudo contínuo. Isso é sucesso de verdade”, destaca a analista de mercado Luiza Carvalho.
“A estética é sustentada por quem atende pacientes, não por quem desfila em eventos”, reforça o mentor empresarial Rodrigo Santana.
“Resultado clínico e confiança do paciente valem mais do que qualquer postagem”, acrescenta a enfermeira esteta Drª Paula Ribeiro.
Privilégio, aparência e o efeito HOF
Especialistas também chamam atenção para o chamado efeito HOF (High Ostentation Fiction), no qual a estética não é a principal fonte de renda, mas apenas um palco social.
“Muitas das que mais ostentam não dependem da clínica para viver”, explica o pesquisador de mercado Lucas Mendonça.
“Isso cria uma referência falsa de sucesso e gera frustração em quem realmente trabalha”, analisa a socióloga Renata Pacheco.
Pacientes mais conscientes, mercado mais exigente
O comportamento do público também mudou. Pacientes buscam cada vez mais confiança, empatia, ética e resultado. Ostentação excessiva, hoje, gera distanciamento.
“O paciente quer ser acolhido, não intimidado”, afirma o especialista em experiência do cliente Eduardo Linhares.
“Luxo exagerado deixou de ser diferencial e passou a gerar desconfiança”, completa a consultora de branding Mariana Tavares.
Uma nova estética: menos palco, mais verdade
A estética caminha para uma fase mais madura, técnica e humana. Uma fase em que o sucesso é medido por consistência, não por curtidas.
“O espetáculo está perdendo força. O mercado volta a valorizar quem trabalha de verdade”, conclui Marina Albuquerque.
Não é o fim da estética — é o fim da ilusão.
