O Brasil enfrenta um surto de intoxicações por metanol que vem preocupando autoridades de saúde e segurança pública em todo o país. O aumento de casos foi registrado entre setembro e outubro de 2025, com diversas mortes confirmadas após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.
Segundo o Ministério da Saúde, as ocorrências foram inicialmente identificadas em cinco estados, levando à criação de uma sala de crise nacional para coordenar ações emergenciais. O órgão determinou também a notificação obrigatória de todos os casos suspeitos e intensificou as operações de fiscalização em fábricas e distribuidoras de bebidas.
“Trata-se de um episódio grave de saúde pública. O metanol é altamente tóxico e não deve, em hipótese alguma, estar presente em bebidas destinadas ao consumo humano”, alertou o Ministério em nota oficial.
Substância letal e efeitos imediatos
O metanol é um álcool industrial usado em produtos como solventes, combustíveis e removedores, sendo inadequado para consumo humano. Quando ingerido, mesmo em pequenas quantidades, pode causar cegueira, convulsões, insuficiência renal, falência múltipla de órgãos e morte.
De acordo com especialistas, a substância é usada ilegalmente por fabricantes clandestinos para reduzir custos de produção e aumentar o teor alcoólico das bebidas. O problema é que o corpo humano metaboliza o metanol em ácido fórmico, uma substância extremamente tóxica para o sistema nervoso e a visão.
Os sintomas iniciais costumam surgir entre 30 minutos e 12 horas após o consumo, e incluem náusea, tontura, dor de cabeça, visão turva, falta de coordenação e dificuldade respiratória.
Ações de emergência e investigações
O governo federal, em parceria com as polícias civis e secretarias estaduais de saúde, instaurou uma força-tarefa para rastrear a origem das bebidas contaminadas. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) intensificou as inspeções em estabelecimentos e determinou o recolhimento de lotes suspeitos.
Em São Paulo e Minas Gerais, operações conjuntas entre a Polícia Civil e o Procon resultaram na apreensão de mais de 1.500 garrafas adulteradas, além do fechamento de depósitos clandestinos.
Autoridades recomendam que a população evite consumir bebidas de procedência duvidosa, especialmente cachaças, vodcas e destilados vendidos a granel ou sem rótulo original.
“Quem desconfia de adulteração deve comunicar imediatamente a vigilância sanitária local ou o Procon”, orienta a Anvisa.
Risco à saúde pública e alerta nacional
O Ministério da Saúde distribuiu um antídoto específico — o fomepizol, medicamento capaz de neutralizar a ação do metanol no organismo — para os estados mais afetados. Hospitais públicos também foram orientados a reconhecer e notificar rapidamente os casos suspeitos.
Médicos alertam que, quanto mais precoce for o tratamento, maiores são as chances de reversão do quadro e de preservação da visão.
A população foi orientada a verificar rótulos, selos de segurança e procedência das bebidas, além de desconfiar de produtos com preço muito abaixo do mercado.
Entenda o perigo
- O metanol não tem cheiro ou sabor fortes, o que dificulta a identificação em bebidas adulteradas.
- Pequenas doses (entre 10 e 30 ml) podem ser fatais.
- O consumo pode causar danos irreversíveis ao fígado, rins e sistema nervoso central.
- Não há antídotos caseiros — apenas tratamento hospitalar imediato pode salvar a vida.
