Nova fronteira na odontologia? Debate sobre prescrição de Mounjaro por dentistas reacende disputa profissional no Brasil
A discussão sobre até onde vai o limite da atuação odontológica ganhou fôlego nos últimos meses. O foco da vez está na possibilidade — ou não — de dentistas prescreverem medicamentos como o Mounjaro (tirzepatida), um dos fármacos mais comentados do país devido ao seu efeito no controle glicêmico e na perda de peso. No centro do debate estão questões legais, de segurança do paciente e de competência profissional.
O que é o Mounjaro e por que ele virou alvo de debate
Mounjaro é um medicamento utilizado para o tratamento do diabetes tipo 2 e estudado amplamente para redução de peso. Sua ação potente e seus resultados rápidos transformaram o remédio em um fenômeno de mercado e em foco constante de manchetes.
Porém, justamente por ser um medicamento sistêmico, que interfere diretamente no metabolismo, a discussão sobre quem está autorizado a prescrevê-lo se tornou inevitável.
“É um fármaco complexo, com efeitos que ultrapassam em muito o campo odontológico. Exige acompanhamento clínico detalhado”, afirma o endocrinologista fictício Dr. Marcelo Lisboa.
A legislação brasileira: o que dentistas podem prescrever?
No Brasil, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) determina que dentistas podem prescrever medicamentos exclusivamente relacionados às condições de saúde bucal. Isso inclui antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos, ansiolíticos e outros fármacos diretamente envolvidos nos tratamentos odontológicos.
Medicamentos sistêmicos, cuja finalidade ultrapassa o contexto odontológico, não estão dentro da área de competência autorizada. É o caso do Mounjaro.
“A prescrição de um medicamento sistêmico para fins metabólicos não está contemplada nas competências odontológicas. A legislação é clara nesse ponto”, afirma a jurista especializada em direito sanitário, Dra. Helena Moura.
Por que a polêmica ganhou proporção nacional
A popularização de medicamentos para emagrecimento e controle metabólico elevou o interesse de profissionais de diversas áreas da saúde. Com isso, surgiram dúvidas entre pacientes e até entre dentistas sobre possíveis ampliações de escopo.
Além disso, casos de prescrição inadequada — envolvendo profissionais de diferentes setores — ampliaram a pressão sobre órgãos reguladores.
Impactos no sistema de saúde
A discussão não se limita ao aspecto técnico. Ela tem repercussões sociais, econômicas e regulatórias. Veja alguns pontos:
- Aumento da procura por medicamentos de alto custo — A demanda crescente pode pressionar estoques e gerar desequilíbrios no mercado.
- Risco de automedicação — Quanto mais profissionais tentam prescrever fora de sua área, maior o risco de uso inadequado.
- Judicial
